Dizem que o nosso pai é único no Mundo. E eu acredito. Mas também acredito que cada um de nós tem um pouco do seu pai consigo...seja a cor dos olhos, o olhar, o sorriso, as mãos ou os pés, a boca, o rosto, etc...mas não é só disso que falo. Não me estou a referir a quando dizem que tenho o olhar dele, a cara dele e coisas que tais. Falo do interior, mais concretamente na nossa alma, nos nossos sentimentos, na nosso personalidade...e não me venham com a Ciência e a história do DNA!
Esta é a única explicação que consigo encontrar para a relação que tenho com o meu pai. Ele já não está entre nós, os vivos. Mas também não partiu sem deixar rasto. Esta é a única certeza que eu tenho na vida.
Por que razão digo isto? É simples: ele está comigo a toda a hora. Não, não estou maluca. Nós conversamos, mesmo que seja por código ou por "luzinhas" que ele me dá quando lhe pergunto algo do género "é este o caminho?" , "estou a fazer a coisa certa?" ou quando pura e simplesmente desabafo com ele e ele me ajuda, como quando foi com a cena do N., ou quando dizemos boa noite um ao outro, sem ser por palavras, ou até quando sonhamos juntos (sim, porque sempre que sonho com ele, ele dá-me uma mensagem) ou apenas quando tenho a sensação que não estou sozinha, mesmo quando (fisicamente) estou. Tenho um pai omnipresente, atrevo-me a dizer, Senhor.
Posso não tê-lo lá a defender-me dos primeiros namorados, ou a transmitir-te toda aquela sabedoria de pai no meio de sermões quando me porto mal, ou a reclamar e a proteger a sua menina quando saio a noite assim mais "descapotável", mas sei que terei sempre um amigo para a vida. Alguém que me vigia noite e dia, que me guia e ilumina a minha jornada, senão qual era o propósito de ser pai?
Além disso, orgulho-me em dizer que sou filha de um verdadeiro anjo, há coisa mais bela que isso?
Sim, custa não poder abraça-lo à anos, mas não me esqueci como é aquele abraço que só um pai pode dar. Não me esqueci do seu cheiro, da sua voz, dos seus olhos, do nariz, da cara toda, de como eram as suas mãos...tudo. Nem de quando jantávamos juntos, víamos tv juntos, ou quando conversávamos só os dois...nada.
Posso não caminhar com ele também à anos, ou ouvir a sua voz, ou dar umas gargalhadas e sentir saudade disso tudo, mas não deixo de ter um pai herói como as outras pessoas. Muito menos deixo de dizer que o amo todos os dias.
Quando erro, peço perdão, como qualquer filho faz. Quando algo de bom acontece, vou logo a correr contar-lhe. E quando é mau, não preciso, ele sente comigo a minha dor. Mas dá-me força, como qualquer pai. E sei, sem sombra de dúvidas, que mexe os pauzinhos todos que pode para me ver bem!
Posso não voltar a fazer nada com ele de novo, como passear de mota, rir, chorar, jogar à bola, ir ao café, comprar prendas para a mãe, vê-lo fazer-se passar por Pai Natal, ouvi-lo a chamar-me todo feliz quando chegava do trabalho, ir à praia... Mas tenho tantas memórias boas onde me agarrar...e isso já ninguém me tira! "És a mulher da minha vida, a pessoa que eu mais gosto neste mundo e a que mais importa para mim. Depois vem a tua linda mãe."
Não sei se acredito na vida depois da morte, mas acredito que se tudo acabasse ali, no segundo em que morremos, não fazia sentido nenhum. Muito menos sentiria as coisas que sinto...que por acaso são meio inexplicáveis, ou loucura para os mais céticos. Mas a vida é mesmo assim, não vem com regras nem manuais para explicar tudo e manter a ordem e no final, é tão inexplicável e extraordinária quanto os meus mais sinceros devaneios.
não diria melhor <3 ... estou contigo linda
ResponderEliminarobrigada fofinha ❤
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